segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Morte X Vida, você tem medo do quê?



Nascemos em contagem regressiva, envelhecendo a cada minuto, fadados a morte. Assim como a ampulheta, a nossa permanência na terra vai se desfazendo em grãos, devagar, ao longo dos anos. Ainda sim, encher os pulmões de ar é um presente divino.


Num daqueles dias modorrentos, perguntaram-me se tenho medo de abandonar o corpo e seguir para o "além". Sim, eu tenho! E quem não tem? Agora, se a morte é uma consequência inevitável, então pra que pensar nela?


Aceitar que a algumas décadas serei apenas poeira me assusta, mas o medo maior que carregamos é outro. Passamos boa parte do tempo temendo a VIDA. A tanto pra se viver, mas a falta de ousadia, o comodismo, provocam uma inércia tão profunda no nosso dia a dia que ficamos pelo meio do caminho. Enterramos o futuro no presente e dizemos amém, como se estivéssemos condenados pelo destino, pelo ser onipotente que nos deu o livre arbítrio.


Minha mãe, por quem eu tenho um amor incondicional, insiste em reclamar do que ela deixou pra trás nos seus 50 anos de existência. As viagens que ficaram estacionadas na cabeça, a vontade de terminar os estudos, de aprender a dirigir, de montar o seu próprio negócio. Faltou atitude no passado e, hoje, sobram desculpas para tentar justificar, pra ela mesma, o por que da sua insatisfação com o mundo. É muito mais fácil reclamar da vida do que tentar fazer por ela. Há muitos zumbis vagando pelas ruas, entregues a monotonia, pessoas que já perderam o sentido humano, são mortos vivos.


Já o seu Zé, criado na roça, aos oitenta e um anos, com as mãos calejadas e o corpo surrado, não tem nenhum arrependimento.  O homem trabalhador, honrado e de um sorriso infinito, deseja apenas nunca sair daquele pedacinho de terra, herança dos pais, que derramaram gotas de sangue e suor para criar ele e os outros onze irmãos, já falecidos. O mundo de sonhos para o humilde agricultor se resume a simplicidade do campo, as raízes cultivadas e preservadas em três hectares. É nesse lugar, onde a lua clareia a noite e o palco das estrelas é o céu, que seu Zé pretende fazer a sua passagem. Garanto que quando ele partir vai levar a felicidade na alma.


É assim que eu quero completar os meus dias, com a certeza de que fiz tudo em vida. E quando chegar a hora de ir "além", partirei em paz. Um dia, mas não agora.  Porque nesse momento eu só quero viver sem medo.


Carpe diem!

2 comentários:

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  2. Insignificantes mortais que como as folhas desabrocham e aquecem de vida, e se alimentam dos que o chão lhes dá, para logo murcharem a de seguida morrerem.
    (Homero, século IX a. C., poeta grego, Ilíada)


    Bom,a misteriosa morte é nossa única certeza, irônicamente!Prefiro pensar no que faço da minha vida e VIVER,mas tenho medo de um dia ao acordar, perceber que não tenho mais ideal, sonho nem coragem, ai sim vou ter certeza que está na hora de morrer.
    abraço Bruno

    Luciana Oliveira

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