Abre a porteira
Pra eu “caba” de “chega”
Levantando poeira
Com meu coração a galope
Venho reencontrar a casinha pequenina
Da minha família caipira
Até a cidade me laçar
A roça era o meu lar
No lombo do cavalo
Abrindo “tria” pelo mato
Mergulhado "nus riacho”
Foi assim que eu me criei
E matuto madurei
Plantei puro amor no coração
Depois eu me mudei
Deixei pra trás o meu sertão
Com a benção dos meus pais
E o abraço apertado dos irmãos
Segui sem rumo
Mas “vortei rumado”
Agora, o menino do mato
Virou empresário
Mãe, irmãos
Finalmente eu venci
Mas cadê o pai aqui
Lá no monte descampado
“Vistei” uma cruz de sarrafo
Aquela terra cheia de vida
Foi transformada em cemitério da “famía”
Com o “zóio” enxarcado
Procurei explicação
E vim sabe por minha mãe e os irmãos
Que um coroné tinha matado o meu herói, seo João
Fui atrás daquele "mardito"
Um sujeito muito temido
Rico e sabido
No meio da estrada me pus a esperar
E quando o coroné apontou entre a poeira
Meu coração disparou a galopar
Chegou a hora da vingança
Com o dedo no gatilho
Apontei o "revorve pro mardito"
O coroné me encarou sereno
E eu atirei sem medo
Veio o estampido
E logo o chão batido ficou "vermeio"
No leito da morte o coroné me chamou
E sussurou no meu ouvido
Seu pai não morreu
O João que "ocê" conheceu
Era um "véio" amigo meu
Um traidor
Que roubou o meu amor
Levou sua mãe pra longe "deu"
E o meu "fio" no ventre seu
Mas, “finarmente", "ocê” veio a mim
Trazido pelo destino que assim quis
Não se preocupe meu “fio”
Que eu já “vô partino"
Levando comigo um amor infinito "docê"
Muito legal seu texto Bruno... Parabéns, continue escrevendo.
ResponderEliminar