sexta-feira, 3 de junho de 2011

O caipira da cidade e o coroné

Abre a porteira
Pra eu “caba” de “chega”
Levantando poeira

Com meu coração a galope
Venho reencontrar a casinha pequenina
Da minha família caipira

Até a cidade me laçar
A roça era o meu lar
No lombo do cavalo
Abrindo “tria” pelo mato
Mergulhado "nus riacho”

Foi assim que eu me criei
E matuto madurei
Plantei puro amor no coração
Depois eu me mudei

Deixei pra trás o meu sertão
Com a benção dos meus pais
E o abraço apertado dos irmãos

Segui sem rumo
Mas “vortei rumado”
Agora, o menino do mato
Virou empresário

Mãe, irmãos
Finalmente eu venci
Mas cadê o pai aqui

Lá no monte descampado
“Vistei” uma cruz de sarrafo
Aquela terra cheia de vida
Foi transformada em cemitério da “famía”

Com o “zóio” enxarcado
Procurei explicação
E vim sabe por minha mãe e os irmãos
Que um coroné tinha matado o meu herói, seo João

Fui atrás daquele "mardito"
Um sujeito muito temido
Rico e sabido

No meio da estrada me pus a esperar
E quando o coroné apontou entre a poeira
Meu coração disparou a galopar

Chegou a hora da vingança
Com o dedo no gatilho
Apontei o "revorve pro mardito"

O coroné me encarou sereno
E eu atirei sem medo
Veio o estampido
E logo o chão batido ficou "vermeio"

No leito da morte o coroné me chamou
E sussurou no meu ouvido
Seu pai não morreu
O João que "ocê" conheceu
Era um "véio" amigo meu
Um traidor
Que roubou o meu amor
Levou sua mãe pra longe "deu"
E o meu "fio" no ventre seu

Mas, “finarmente", "ocê” veio a mim
Trazido pelo destino que assim quis
Não se preocupe meu “fio”
Que eu já “vô partino"
Levando comigo um amor infinito "docê"

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