domingo, 29 de julho de 2012

Amor não é coração, é alma!



Quatro letras apenas que, unidas, podem trazer o céu para terra. Descrever um sentimento tão maior , do qual a ciência não é capaz de explicar, de traduzir em fórmulas, é a tarefa mais complexa de uma vida inteira. Esqueça a razão! Amigos e uma mulher em especial, a da minha vida, dizem que sou contraditório por conseguir decifrar as sensações que estão a nossa volta e, no dia a dia, não demonstrar ao mundo o que sinto pelas pessoas que amo.

Mas, afinal, o que é o amor? Essa palavra tão intensa, profunda, tem um significado relativo para cada um de nós. Para algumas meninas seria um conto de fadas, daqueles em que o príncipe cavalga em seu cavalo branco, com os cabelos loiros jogados ao vento, de sorriso sedutor, palavras meigas, o homem herói. E fora do universo imaginário? Qual seria a melhor definição?

Entenda que o amor não tem cara, mas tem várias expressões, não está no coração, mas é capaz de acelera-lo, porque pulsa na alma. Pode, simplesmente, ser um beijo duradouro, em que bocas suculentas trocam energia. Ou quem sabe um sorriso interminável, aquele friozinho
 na barriga, o arrepio, o ciúmes, um rosto molhado pelo sofrimento. Mas não pode ser simbolizado pelo vermelho porque é muito mais colorido. Outros acreditam que a resposta está no olhar, em enxergar o interior das pessoas. Por vezes, tento passar o que guardo aqui dentro, assim, observando atentamente os gestos, o riso, a beleza dos seres que me fazem ter o prazer de viver. Seria o bastante?

Depois de três décadas, meu coração já não é tão duro, o tempo, os erros, as feridas trataram de amolece-lo. Mas essas mudanças que me tornaram uma pessoa melhor ou menos pior, nem sempre são suficientes para quem as recebe. Existem muitas formas de amar, só que nem tudo é amor. Ouço homens e mulheres pronunciarem essa palavra com a boca e não com a alma, sem se darem conta do que ela realmente representa.

Não se joga um sentimento desse ao acaso, ele não pode ser descartado como um papel em branco. Vejo casais que mal se conheceram pronunciarem essa palavra mágica. Mas grande parte dos amantes não se da conta do poder dela. Colocam pra fora essas vogais e consoantes de maneira separada, soletrando, a – m – o – r. Esquecem que somente juntas elas permitem unir as pessoas. Talvez isso tenha diminuído
 a magia do amor. Fácil falar, difícil fazer.

Ainda bem que temos a chance de renovar. Quem disse que o amor não é reciclável? Escuto muita gente profetizar que só é possível amar uma vez na nossa breve história. Não! O amor é eterno, levamos para sempre, mas nem sempre a pessoa amada é única em toda a nossa vida.

Certa vez, uma menina me disse acreditar no impossível conto de fadas. Para ela, o príncipe encantado é uma realidade. Essa mulher que tem a inocência e sensibilidade de menina, carrega o amor dentro dela. Compartilha sua luz com o próximo e transcende
 a lei da física. Ela exerce a humanização todos os dias e me ensinou muito mais do que a escola, os cursos técnicos e a faculdade. A menina de olhos caramelos, tão doce, pratica intensamente o significado dessa palavra. Foi esse anjo fantasiado de mulher que me ensinou sobre a paixão, o gostar e, por último, o amor.

Esqueça os romances dos escritores, as rimas dos poetas, os enredos de novelas. O amor verdadeiro é radicalmente melhor do que tudo que se possa ver, ouvir ou escrever. E é simples entender
. Você tem fé? Já viu Deus pessoalmente? O que sente por ele? É isso! O sentir está muito além de nossa compreensão. Não se vê, não se toca, não é possível dimensionar, medir, impedir, esquecer.

As vezes, a tristeza não consegue inundar os meus olhos, mas o meu rosto é encharcado
 com um belo sorriso. As emoções geram o amor ou o amor gera as emoções? Um texto ou dezenas de páginas de um livro, não podem descrever o que é divino.
“Quem inventou o amor? Explica, por favor!” (Renato Russo) 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

No Carnaval do futuro a minha fantasia é retrô



Fevereiro! Esse me parece ser o mês mais esperado do ano. Passamos trezentos e sessenta e um dias desejando apenas quatro deles. É essa a minha sensação quando chega o Carnaval. Tudo vira festa, extravasamos os sentimentos sem nos preocuparmos com o dia de amanhã, como se o mundo fosse acabar. A única coisa realmente pura nessa data é a inocência das crianças, brincando de faz de conta. Já grande parte dos jovens e adultos exalam sacanagem.

Os homens e mulheres parecem sedentos por sexo, estão a flor da pele, como os animais no período  do acasalamento, porém, sem o romantismo deles. O Carnaval é um grande evento gastronômico. Os homens, os mais animalescos por instinto, estão prontos para experimentarem o que for servido a mesa. Já as mulheres, loucas para serem saboreadas com tudo o que tem direito.

No Brasil, a sacanagem do Carnaval até parece um desses dias sagrados. Quem não cumpri o ritual é o Judas da história. É como se Deus nos desse a bênção para cometer os pecados mais carnais. Um festival de palavrões, drogas a vontade, pessoas desfilando pelas ruas quase peladas, casais se devorando em praça pública.

O mais incrível é que homens e mulheres se beijam ardentemente sem trocarem uma palavra. Bêbados, eles cercam o sexo frágil como presas, as agarram e impõem seus desejos, como na época das cavernas. E o pior é que elas se rendem e gostam do imperialismo masculino. Porque na cabeça de grande parte dos brasileiros, o Carnaval é a época de liberar as fantasias, de se entregar ao prazer.

Uma, duas, três, quatro, quanto mais bocas passarem pela sua melhor é o seu desempenho, isso virou regra no dia profano. E não pensem que falo isso como um santo, porque nunca fui e nem tenho a pretensão, mas aos 30 anos algumas coisas mudaram na minha maneira de ver a vida. Qual é o prazer de beijar por beijar, sem aos menos saber o nome dela ou dele, de onde essas bocas sedentas vieram, que histórias elas tem pra contar, suas perspectivas para o futuro.

Esse ano vi de perto o Carnaval de rua. Algumas pessoas estariam menos vulgares se estivessem peladas, não me levem a mal. Os garotões parados no meio das vias públicas aguardavam sua caça. E elas vinham aos montes, sem se preocuparem com o risco de serem roubadas. Porque aquela cena mas parecia um assalto consentido. Ele se apoderando do corpo dela e ela dizendo não com uma ânsia indescritível de ser violada. Então, quem é o mocinho e quem é o vilão?

O Carnaval virou a festa do sexo, não que eu tenha alguma coisa contra sexo, é a melhor coisa do mundo. Só que a pornografia exibida em filmes como “Brasileirinhas” se apresenta em praça pública agora. Na minha época de adolescente, eu demorava pelo menos dois dias para conseguir beijar a boca da menina que me atraia entre as serpentinas e confetes. Nos dias de hoje, diriam que sou um frouxo, careta. Pois bem, como disse, não sou nenhum santo, jamais fui, mas ainda não tenho apetite para beijar por beijar, de somar por somar, sem aquela troca de olhares que mexe com a minha cabeça de cima. Se esse é o Carnaval do futuro, prefiro vestir aquela fantasia retrô da minha adolescência.