Fevereiro!
Esse me parece ser o mês mais esperado do ano. Passamos trezentos e sessenta e
um dias desejando apenas quatro deles. É essa a minha sensação quando chega o
Carnaval. Tudo vira festa, extravasamos os sentimentos sem nos preocuparmos com
o dia de amanhã, como se o mundo fosse acabar. A única coisa realmente pura
nessa data é a inocência das crianças, brincando de faz de conta. Já grande
parte dos jovens e adultos exalam sacanagem.
Os
homens e mulheres parecem sedentos por sexo, estão a flor da pele, como os
animais no período do acasalamento,
porém, sem o romantismo deles. O Carnaval é um grande evento gastronômico. Os
homens, os mais animalescos por instinto, estão prontos para experimentarem o
que for servido a mesa. Já as mulheres, loucas para serem saboreadas com tudo o
que tem direito.
No
Brasil, a sacanagem do Carnaval até parece um desses dias sagrados. Quem não
cumpri o ritual é o Judas da história. É como se Deus nos desse a bênção para
cometer os pecados mais carnais. Um festival de palavrões, drogas a vontade,
pessoas desfilando pelas ruas quase peladas, casais se devorando em praça
pública.
O
mais incrível é que homens e mulheres se beijam ardentemente sem trocarem uma
palavra. Bêbados, eles cercam o sexo frágil como presas, as agarram e impõem
seus desejos, como na época das cavernas. E o pior é que elas se rendem e
gostam do imperialismo masculino. Porque na cabeça de grande parte dos
brasileiros, o Carnaval é a época de liberar as fantasias, de se entregar ao
prazer.
Uma,
duas, três, quatro, quanto mais bocas passarem pela sua melhor é o seu
desempenho, isso virou regra no dia profano. E não pensem que falo isso como um
santo, porque nunca fui e nem tenho a pretensão, mas aos 30 anos algumas coisas
mudaram na minha maneira de ver a vida. Qual é o prazer de beijar por beijar,
sem aos menos saber o nome dela ou dele, de onde essas bocas sedentas vieram,
que histórias elas tem pra contar, suas perspectivas para o futuro.
Esse
ano vi de perto o Carnaval de rua. Algumas pessoas estariam menos vulgares se
estivessem peladas, não me levem a mal. Os garotões parados no meio das vias
públicas aguardavam sua caça. E elas vinham aos montes, sem se preocuparem com
o risco de serem roubadas. Porque aquela cena mas parecia um assalto consentido.
Ele se apoderando do corpo dela e ela dizendo não com uma ânsia indescritível
de ser violada. Então, quem é o mocinho e quem é o vilão?
O
Carnaval virou a festa do sexo, não que eu tenha alguma coisa contra sexo, é a
melhor coisa do mundo. Só que a pornografia exibida em filmes como
“Brasileirinhas” se apresenta em praça pública agora. Na minha época de
adolescente, eu demorava pelo menos dois dias para conseguir beijar a boca da
menina que me atraia entre as serpentinas e confetes. Nos dias de hoje, diriam
que sou um frouxo, careta. Pois bem, como disse, não sou nenhum santo, jamais
fui, mas ainda não tenho apetite para beijar por beijar, de somar por somar,
sem aquela troca de olhares que mexe com a minha cabeça de cima. Se esse é o
Carnaval do futuro, prefiro vestir aquela fantasia retrô da minha adolescência.

Tenho dezenove anos, portanto já nasci neste carnaval sedento de respeito, cresci vendo e sentindo na pele a falta de romantismo e o "ficar" animalizado dos casais que se unem nessa época. É realmente abominável, mais e mais jovens caem nessa armadilha de achar que quantidade é superior à qualidade. Concordo com todas as suas vírgulas, inclusive com o quesito de não santidade, entretanto isso não significa que temos que compactuar com essa cultura. Sou a favor ao carinho, ao amor, às belas palavras e troca das mesmas. Excelente texto Bruno, parabéns!
ResponderEliminarO carnaval ja perdeu seu sentido há muito tempo, porém hoje se comemora a festa do prazer, onde muitas pessoas se preocupam com os desejos carnais e esquecem a essencia do sentimento por outra pessoa..Podem me chamar de careta, mas jamais me daria ao disfrute de participar do que se chama carnaval...
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