Ainda posso ouvir o toque dos sinos, o barulho dos animais deslizando sobre o gelo e, por fim, o som mais popular do Natal “rô...rô...rô”. Era assim que Papai Noel surgia nos meus sonhos. Foi dessa forma que o capitalismo vendeu a lenda do “bom velhinho”.
A data sagrada, com o tempo, parece ter sido consumida pelo comércio. O presente se transformou no símbolo do Natal. Os valores religiosos foram trocados por moedas e a estrela do menino Jesus parece perder o brilho ano a ano.
Quantos foram os desejos? Quais foram eles?
A criança abandonada pelos pais, gostaria apenas de receber um abraço daqueles que lhe deram a vida. E os pais deixados no asilo pelos filhos queriam somente ser lembrados.
Na rua, o jovem,de olhos esbugalhados, só pensa em alimentar o seu vício, afinal, a droga para o usuário é o melhor dos presentes.
Nas favelas, as famílias desejam superar mais um ano de miséria e sobreviver ao fogo cruzado do crime.
Dentro da cadeia, quem roubou, matou e enganou a qualquer preço quer a liberdade.
Pelas estradas do País, o andarilho caminha desejando chegar a lugar nenhum.
E lá nos hospitais, os pacientes pedem por saúde. A saúde quer mais empenho do governo e o governo só pensa em fortalecer a economia
Os homens de terno e gravata, cheios de discursos, representantes do povo, desejam aumentar seus salários e reinar por muitos anos no Congresso Nacional.
Os terroristas querem destruir a globalização em nome de Alá e derrubar o já enfraquecido império americano.
Enquanto isso a comunista China pensa em crescer ainda mais e, contraditoriamente, se tornar a maior potência econômica do Planeta. Em contrapartida, os cidadãos chineses desejam a abertura política, a liberdade arrancada deles e uma jornada de trabalho mais justa.
Os palestinos concentram seus pensamentos na paz.
A igreja pede por mais fé e menos pecados, inclusive, de seus padres pedófilos.
O estagiário só quer ser efetivado e o chefe deseja se aposentar o quanto antes.
A solteirona pensa em casar, ter filhos e viver para a família.
E o homem amargurado pelas perdas da vida quer apenas a felicidade.
E Deus, o que ele desejaria ganhar no Natal? Tenho certeza que o pedido dele seria muito simples.
Já eu, gostaria de passar o natal fora do trabalho ao lado do meu bem mais valioso, a minha família.
Obrigado Papai Noel, Papai do Céu.

Adorei seu texto. Escrevi algo bastante parecido em meu blog na véspera do Natal. Realmente, nós fomos consumidos pelo consumo desenfreado que fica ainda maior nesta época do ano e nos esquecemos do real significado que esta data possui. Abraços.
ResponderEliminarÉ, BRUNINHO... É A REALIDADE ATUAL...
ResponderEliminarEU TRABALHO EM UMA "CLINICA GERIÁTRICA PARTICULAR"...(ASILO PARA OS MENOS DESPROVIDOS) E LÁ TB NÃO FOI DIFERENTE...ESTIVE DE FOLGA, MAS ELES MESMO ME DESCREVERAM SEU DIA DE NATAL...AÍRAM PRA ALMOÇAR COM OS FILHOS 2 DELES... E OS OUTROS..RECEBERAM SABONETES E MEIAS...OU PERFUMES QUE ELES NÃO USAM MAIS, PQ NÃO TEM ONDE IR E FAZÊ-LOS SENTIR... DIAS RUINS ESSES... PASSAREI A VIRADA DE ANO LÁ, TRABALHANDO...SERIA DIFERENTE???...ACHO QUE NÃO....PARABÉNS PELO BLOG... E FELIZ ANO NOVO!!!
De fato Bruno, o bem mais precioso é esquecido. O comércio é maior. E o que estamos deixando para as nossas futuras gerações é isso, comércio. Mas para quem fala que escrever é difícil, excelente texto. Que o espírito do Natal sempre esteja com você. Abraços.Selma.
ResponderEliminarO comércio, a falta de tempo,de respeito,a individualidade...nossa são tantas as coisas que estão contaminando nossa vida!! Incrivelmente o homem é consumido pelos vícios do mundo ou seria o contrário? Pois é meu amigo, é bem triste nossa situação,mas por outro lado, ainda existem muitas pessoas que dão valor as coisas realmente importantes,como um abraço, um elogío,ou fazer questão de festejar com a familia cada momento.
ResponderEliminarDaí pensamos...Será mesmo que o senhor capitalismo vai dominar o futuro?
Caramba!!Com tanta coisa boa, tanta gente boa, não é possivel que as proximas gerações serão tão mesquinhas e carentes de valores.
É Bruno, acho que parte da solução está nas tradições familiares,na cultura e na educação mas e a outra?...
Lindíssimo seu texto, orgulho!rs
Parabens pelo Blog...abraço- Lu Oliveira