domingo, 26 de dezembro de 2010

O Natal e seus desejos


Ainda posso ouvir o toque dos sinos, o barulho dos animais deslizando sobre o gelo e, por fim, o som mais popular do Natal “rô...rô...rô”. Era assim que Papai Noel surgia nos meus sonhos. Foi dessa forma que o capitalismo vendeu a lenda do “bom velhinho”.

A data sagrada, com o tempo, parece ter sido consumida pelo comércio. O presente se transformou no símbolo do Natal. Os valores religiosos foram trocados por moedas e a estrela do menino Jesus parece perder o brilho ano a ano.

Quantos foram os desejos? Quais foram eles?

A criança abandonada pelos pais, gostaria apenas de receber um abraço daqueles que lhe deram a vida. E os pais deixados no asilo pelos filhos queriam somente ser lembrados.

Na rua, o jovem,de olhos esbugalhados, só pensa em alimentar o seu vício, afinal, a droga para o usuário é o melhor dos presentes.

Nas favelas, as famílias desejam superar mais um ano de miséria e sobreviver ao fogo cruzado do crime.

Dentro da cadeia, quem roubou, matou e enganou a qualquer preço quer a liberdade.

Pelas estradas do País, o andarilho caminha desejando chegar a lugar nenhum.

E lá nos hospitais, os pacientes pedem por saúde. A saúde quer mais empenho do governo e o governo só pensa em fortalecer a economia

Os homens de terno e gravata, cheios de discursos, representantes do povo, desejam aumentar seus salários e reinar por muitos anos no Congresso Nacional.

Os terroristas querem destruir a globalização em nome de Alá e derrubar o já enfraquecido império americano.

Enquanto isso a comunista China pensa em crescer ainda mais e, contraditoriamente, se tornar a maior potência econômica do Planeta. Em contrapartida, os cidadãos chineses desejam a abertura política, a liberdade arrancada deles e uma jornada de trabalho mais justa.

Os palestinos concentram seus pensamentos na paz.

A igreja pede por mais fé e menos pecados, inclusive, de seus padres pedófilos.

O estagiário só quer ser efetivado e o chefe deseja se aposentar o quanto antes.

A solteirona pensa em casar, ter filhos e viver para a família.

E o homem amargurado pelas perdas da vida quer apenas a felicidade.

E Deus, o que ele desejaria ganhar no Natal? Tenho certeza que o pedido dele seria muito simples.

Já eu, gostaria de passar o natal fora do trabalho ao lado do meu bem mais valioso, a minha família.
Obrigado Papai Noel, Papai do Céu.

4 comentários:

  1. Adorei seu texto. Escrevi algo bastante parecido em meu blog na véspera do Natal. Realmente, nós fomos consumidos pelo consumo desenfreado que fica ainda maior nesta época do ano e nos esquecemos do real significado que esta data possui. Abraços.

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  2. É, BRUNINHO... É A REALIDADE ATUAL...
    EU TRABALHO EM UMA "CLINICA GERIÁTRICA PARTICULAR"...(ASILO PARA OS MENOS DESPROVIDOS) E LÁ TB NÃO FOI DIFERENTE...ESTIVE DE FOLGA, MAS ELES MESMO ME DESCREVERAM SEU DIA DE NATAL...AÍRAM PRA ALMOÇAR COM OS FILHOS 2 DELES... E OS OUTROS..RECEBERAM SABONETES E MEIAS...OU PERFUMES QUE ELES NÃO USAM MAIS, PQ NÃO TEM ONDE IR E FAZÊ-LOS SENTIR... DIAS RUINS ESSES... PASSAREI A VIRADA DE ANO LÁ, TRABALHANDO...SERIA DIFERENTE???...ACHO QUE NÃO....PARABÉNS PELO BLOG... E FELIZ ANO NOVO!!!

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  3. De fato Bruno, o bem mais precioso é esquecido. O comércio é maior. E o que estamos deixando para as nossas futuras gerações é isso, comércio. Mas para quem fala que escrever é difícil, excelente texto. Que o espírito do Natal sempre esteja com você. Abraços.Selma.

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  4. O comércio, a falta de tempo,de respeito,a individualidade...nossa são tantas as coisas que estão contaminando nossa vida!! Incrivelmente o homem é consumido pelos vícios do mundo ou seria o contrário? Pois é meu amigo, é bem triste nossa situação,mas por outro lado, ainda existem muitas pessoas que dão valor as coisas realmente importantes,como um abraço, um elogío,ou fazer questão de festejar com a familia cada momento.
    Daí pensamos...Será mesmo que o senhor capitalismo vai dominar o futuro?
    Caramba!!Com tanta coisa boa, tanta gente boa, não é possivel que as proximas gerações serão tão mesquinhas e carentes de valores.
    É Bruno, acho que parte da solução está nas tradições familiares,na cultura e na educação mas e a outra?...
    Lindíssimo seu texto, orgulho!rs
    Parabens pelo Blog...abraço- Lu Oliveira

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