terça-feira, 23 de agosto de 2011

Até o fim de nossas vidas



Tem dias na vida que levantamos da cama já com uma a sensação estranha, sem lógica, indecifrável. Parece que a nossa energia foi totalmente consumida, mesmo depois de um sono profundo. Os sonhos ressuscitam o que trancamos a sete chaves no subconscinte. Coisas boas e ruíns, que sempre farão diferença até o último passo, olhar, suspiro da nossa caminhada por aqui.

Essa semana o dia me acordou mais triste. O sol não despertou para bronzear a minha pálida alma. Nem mesmo o poeta com suas doces palavras e rimas conseguiu preencher o meu vazio. Hoje eu acordei mais sozinho do que nunca, angustiado como um pássaro dentro de uma gaiola procurando a porta da liberdade, da salvação para os seus sofrimentos.

Restou-me somente a saudade, saudade da minha infância, de um doce chamado Carolina, do colo dos meus pais, dos cabelos brancos dos meus avós, das mulheres da minha vida, dos meus grandes e eternos amigos, das rodas de bate-papo dos neocorvos, das peladas entre palmeirenses (Marco Bonito e Demétrius) e corintianos (Rogério e Olacir) e daqueles que já se foram, mas compartilharam parte de suas vidas comigo.

Essa agonia já tem um laudo. O parecer dos peritos é de que estou morrendo de saudade. Saudade de bons tempos que agora estão em preto e branco, eternizados em minha memória. E não há cura, o único remédio que encontrei foram as teclas do meu computador, entre palavras e frases, reunindo num flash todas as pessoas que de alguma forma se tornaram personagens importantes na minha mera história.

Quem de nós já não viveu um dia assim? Um dia em que você acorda sentindo falta de tudo que construiu na vida ao lado de pessoas inesquecíveis. Elas estão longe do seu aperto de mãos, do seu abraço, do seu olhar, mas carregamos dentro de nós todos os dias, até o fim de nossas vidas.

domingo, 14 de agosto de 2011

A obra mais perfeita de Deus



Pode apostar, a obra mais perfeita criada pelo ser onipotente que rege o planeta foi a mulher. E nós, homens? Nós somos apenas o rascunho de um projeto maior.



Durante séculos elas nos enganaram. Interpretaram vários papéis, de fragilizadas, submissas, oprimidas. Talentosas, nos fizeram acreditar que éramos incrivelmente superiores, inatingíveis, os donos da verdade. E caímos feito idiotas, afinal, elas são atrizes por natureza.



Na época das cavernas as mulheres eram arrastadas pelos cabelos, de acordo com a nossa vontade. Hoje, elas usam os cabelos para nos deixar morrendo de vontade. Quando uma delas desfila aos nossos olhos, parecemos cachorros de padaria, salivando o frango que nunca sai do forno, mas provoca uma fome alucinante no totó, que fica ali, parado feito um bobo.


Com charme e beleza arrancam de nós o que querem, já  nós, só queremos arrancar a roupa delas, porque quando se trata de mulher pensamos sempre com a outra cabeça. É assim que elas nos deixam literalmente duros, a calça fica muito mais apertada e a nossa conta no vermelho. Aí voltamos a dar duro no trabalho para conseguir satisfazer os desejos delas novamente. 



As mulheres são nossa melhor fantasia, nosso maior objeto de consumo. Mas como elas nos consomem, não? O quadril delas foi feito para balançar o nosso cérebro. As curvas femininas levam a mente masculina para longe da realidade. Perdemos todos os sentidos na tentativa de senti-las, no tato, corpo a corpo com aquela ruiva, ouvindo o sussurro ofegante da morena, olhando o decote volumoso da loira, sentido o cheiro de sexo da mulata. As brasileiras tem o gostinho da miscigenação e sabem usar muito bem o dom que Deus lhes deu. 



E não se enganem meus amigos, elas não são apenas corpinhos bonitos, não! As mulheres provaram ser muito mais inteligentes do que nós, dominaram os homens controlando o mercado. Os patrões viraram empregados e as empregadas patroas. Em tempos modernos elas conquistaram a independência financeira e muitas vezes somos nós que dependemos delas para pagar as contas. 



As super mulheres da nova era trabalham, cuidam dos filhos, da casa e ainda fazem o marido gozar a vida. Caso ainda não tenham percebido elas são o futuro da humanidade. Aliás, as mulheres sempre foram o futuro, a luz da nova geração, só as beldades tem o poder divino de carregar a vida dentro delas. São seres sensíveis, a flor da pele, dispostos a aquecer o coração gelado das criaturas mais racionais. 



As mulheres querem carinho, afeto, romance. Os homens também, adoramos ser acariciados, abraçados, paparicados, gostamos de tudo isso e, principalmente, de sexo, muito, muito sexo. Tem marido que não se importa de ser corno porque só a esposa consegue fazer o falecido ressuscitar. Mole? Não, duro mesmo!



Gordinha ou magrinha, branquinha ou negrinha, burrinha ou genial, safada ou santinha, carismática ou fresquinha. Elas tem formas e características diferentes, mas bem lá no fundinho, todas escondem aquele mesmo tesouro que faz o olhos masculinos reluzirem. A verdade é que enquanto as mulheres existirem os homens saberão o que é felicidade, caso contrário, ficaremos na  mão, se é que você me entende.

Devemos rezar todos os dias agradecendo a Deus por ter criado as mulheres. Elas são mesmo a obra mais perfeita dessa galeria de artes chamada Terra. Já nós somos seus espectadores. Obrigado Senhor por ser apenas um rascunho dessa arquitetura divina.



quinta-feira, 28 de julho de 2011

A receita da vida



Qual é o maior poder do homem?
Centenas de milhares de pessoas como eu, por exemplo, vivem dizendo que o maior poder do ser humano é a sabedoria. Engano! Jesus Cristo sempre pregou o amor, foi sua grande arma contra os males do mundo.

Quem de nós nunca viveu um amor platônico que atire a primeira pedra. Uma paixão adolescente que trouxe as primeiras compreensões sobre felicidade e a tristeza, o abstrato, algo que não se vê e não se pode tocar, um sentimento que nos invade sem pedir licença e nos arranca toda racionalidade. Assim é o amor.

E pouco importa se essa relação afetiva é entre heterossexuais, homossexuais, transexuais ou qualquer outra classificação daqueles que definem as regras da sociedade moderna. No amor não há preconceitos. O amor existe entre brancos e negros, socialistas e capitalistas, religiosos e descrentes, ele está espalhado por todos os cantos do planeta, no infinito do universo.

Seja um amor materno ou paterno, é sempre bom ser amado. Deixar a alma ser envolvida pelo calor protecionista da família. Compartilhar os bons e maus momentos ao lado da mãe, do pai e dos irmãos. Proliferar essa harmonia com os parentes que te querem bem. Ouvir com atenção a experiência dos avós, demonstrando carinho por aqueles que sempre fizeram por nós. O nosso mundo é sustentado pelo amor que se um dia se esgotar da Terra só sobrará pó.

Hoje eu acordei mais cedo, estiquei-me ouvindo o canto dos pássaros e dos galos, contemplei no horizonte o nascimento de uma imensa bola de fogo que aqueceu a minha vida e me fez sentir parte do cósmico. Fechei os olhos e viajei para um lugar encantado, afinal, todos nós sonhamos com um mundo perfeito, gerado apenas pelo mais puro amor. Devíamos fazer isso todos os dias, sentir o ar da alvorada invadir os pulmões, respirando o maior bem que podemos ter, a vida. Precisamos amar a nós próprios com grande intensidade para oferecer um amor maior ao próximo.

Acolha o teu amigo, ofereça o seu ombro como conforto e enxugue as lágrimas dele com o amor de sua amizade. Sinta através de um aperto de mãos ou de um forte abraço o quanto ele gosta de você. Se o machismo que nos reprime impossibilita essa demonstração por meio de palavras, canalize esse amor nas atitudes. Os gestos falam por si só.

Transforme uma simples relação momentânea em uma paixão ardente, nem que seja por alguns segundos, minutos ou horas. Quando sair em busca de diversão e novas aventuras ao lado dos amigos, em uma sexta-feira qualquer, de um determinado dia do ano, torne esse momento inesquecível. Não perca de vista aquela garota que seduziu os seus olhos com seus cabelos dourados e um sorriso que esbanja a felicidade. Ela pode ser a mulher da sua vida.

E quando você ouvir daquela sua amiga, pela qual você é apaixonado, a seguinte frase “aquele cara é o meu príncipe encantado”, impeça que a mágoa transforme o seu sentimento em uma geleira. Não há culpado nessa história, pois a vida real é bem diferente dos finais felizes das novelas brasileiras. Talvez você tenha nascido pra ela, mas ela não nasceu pra você. O amor também prega suas peças.

Não deixe o ódio que você sente pelo seu inimigo cegá-lo. Perdoe as falhas e maldades dos pobres de espírito, são pessoas mal amadas que vivem num inferno astral. Se conseguir, estenda sua mão para aqueles que um dia o deixaram desamparado, faça com que o seu amor de uma lição de vida a eles.

Ame! Ame sem discriminação, sem burocracia, sem interesses. Ame por amar. Essa é a receita da vida: amar para viver e viver para o amor.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

As estrelas do mundo moderno


Deu na mídia: "Legalize já!"
Elas estão por toda parte, a cada esquina das favelas ou nos refinados bairros burgueses. E são tão "chiquititas" que chegam através de "aviõezinhos", parecem pop stars. "Dona Branca, Puro Êxtase, Erva Danada"... um grupo que conquistou o planeta no século da diversão, que viciou multidões e foi responsável pela morte de milhares de adeptos.

Meu amigo Miltinho que o diga, ele é fã da "Erva Danada". Esta faz a cabeça do camarada há mais de sete anos. Da última vez que nos reencontramos ele me perguntou quatro vezes se eu ainda morava no mesmo lugar, detalhe, o cara mora a duas casas depois da minha. É... o meu "cumpadi" parece estar viajando vinte quatro horas por dia. Espero que ainda tenha lhe restado alguns neurônios, pelos menos para me reconhecer quando nos esbarrarmos por aí.

Pituca era o apelido de uma das meninas mais bonitas do bairro. Certo dia ela conheceu "Dona Branca", a amizade foi crescendo, crescendo... até virar dependência. A partir daí, aquela linda e simpática garota que deixava toda molecada excitada ao desfilar sua beleza, não conseguia mais ficar longe de sua amiga íntima. Aos vinte anos de idade "Dona Branca" presenteou Pituca com uma overdose, provando na verdade ter sido sua inimiga mais cruel.

O tráfico criou uma sociedade paralela estabelecendo uma política criminal que não pode ser mais extinta. Armar o exército e fortalecer a polícia com o intuito de invadir as favelas para reprimir os marginalizados não é a solução para o caos que viola nossa paz. A solução não está na força, pois se assim fosse os Estados Unidos não teriam drogas circulando em seu país, os americanos possuem o maior poder bélico do mundo.

Na década de trinta, a era das gangues, um sujeito chamado Alcapone era temido nos Estados Unidos. Nesse período não havia cocaína, heroína ou maconha, ele era considerado o maior criminoso da época por contrabandiar bebidas alcoólicas durante o período em que foi instituída a "Lei Seca". Somente com a liberação das bebidas, o final da Lei Seca, é que o contrabando foi amenizado, diminuindo consideravelmente a criminalidade no País.

Em uma roda de amigos eu fui indagado: - Bruno! Que mal tem alguém fumar maconha? Essa pessoa não faz mal a ninguém a não ser a ela mesma, não acha? Muitas pessoas não percebem que o viciado alimenta o tráfico. Se o meu amigo Miltinho não fosse um usuário da "Erva Danada" seria menos um consumidor e, se todos pensassem da mesma forma, o tráfico não teria conquistado tanto poder.

Precisamos de uma política severa no combate ao tráfico. Mas porque nunca conseguimos estabelecer essa política? Simplesmente porque o supremo poder está nas mãos dos senhores de palitós e gravatas que deveriam privar pelo bem estar comum da sociedade. E o que fazer se as decisões provêm desses senhores? Eu sempre fui contra a legalização da maconha, mas agora estou repensando sobre a possibilidade. A legalização da maconha não seria realmente um combate na raiz do tráfico?

Se a maconha fosse vendida legalmente nas farmácias não teria porque consumir a "Erva Danada" do mundo marginalizado. Os consumidores teriam total responsabilidade sobre a utilização da droga, podendo ser vendida somente para maiores de 18 anos. Assim o Governo Federal poderia intensificar as campanhas antidrogas para eliminar a "Erva Danada" da cabeça das pessoas através da conscientização dos seus males, como acontece hoje com o tabagismo. Todos os atos inconseqüentes praticados pelos usuários poderiam ser punidos com leis rigorosas, mas as leis são elaborados pelos próprios senhores do crime não? Sim, é verdade. É muito mais lucrativo praticar a ilegalidade do que a legalidade.

Já sei! Encontrei a solução. Em vez de legalizar as drogas vamos legalizar o tráfico para que "ele" deixe de ser ato criminoso. Faremos com que o tráfico se torne uma empresa, pagando impostos, com funcionários registrados e uma clientela mundial. Não é genial? Não, claro que não. Acho que falei tanto na "Erva Danada" que já estou sentido seus efeitos irracionais. Essa discussão nunca tem fim, mas sempre volta a tona. Enquanto isso, tento compartilhar idéias com você caro leitor. Legalize já!?!?!?!?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

ANDANDO a PAMPA







O conhecimento é uma viagem, compartilhada com personagens que encontramos pelo caminho.

Pessoas desconhecidas que nos recebem com carinho,
que abrem as portas e o coração para forasteiros como eu.

Caminhando pelo sul avistei velhos amigos e conquistei novas amizades. As Lembranças são muitas, pena que nem todas cabem nessa pequena homenagem.

 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Só é feliz quem tem

Esse é o tipo de coisa que não se compra, pelo menos original não. É como semear a terra, cuidar da horta, atenciosamente, para que o tempo se encarregue de fazer brotar os frutos. Nós somos como sementes espalhadas pelo planeta, prontas para serem cultivadas. Mas eu falo de uma coisa que não nasce da terra, que não pode ser colhida no pé das árvores. Mesmo porque se assim fosse ela se tornaria descartável. Não! Para conseguir uma é preciso conquista-lá.


Com ela descobrimos o prazer de servir, de olhar o mundo pelos olhos do outro, de ceder, de escutar mais e falar menos, de pedir desculpas, perder o orgulho, compartilhar a vida, sentir saudade, se emocionar. Infeliz daquele que não tem uma amizade sincera. Todos temos colegas  e conhecidos aos montes, mas amigos não. Eles são raros! Pessoas que ajudam a dar sentido a nossa passagem pela terra. Conselheiros por instinto, guardiões dos nossos segredos mais obscuros.


Eles vão e vem, mas nós os levamos para sempre conosco, ainda que nas lembranças. Nenhuma distância no mundo é capaz de separá-los de nós, estejam eles aqui ou na (H)Espanha. O amigo pode ser um primo, de uma cidadezinha do interior, chamada Jaborandi. Mas também tem aquele amigo vizinho, criado com você desde pequeno, como um irmão, um corintiano fanático de olhos arregalados apelidado de "aquático". Gudu da lua, Lucas Boy, Fusquinha, Xingu, Alemão, Banguelo, um time de salão completo de apelidos estranhos mas muito familiares entre amigos.


No esporte, nem sempre eles se entendem, mas levam tudo na esportiva. Formam uma dupla inseparável nas quadras, de xarás, unidos pelo vôlei. Um é grande por natureza e o outro mais baixo, porém, capaz de alcançar o mundo quando estão juntos. 


Tem o amigo técnico, paisão, professor, que te vê como um filho. E tem também aquele camarada que te vê como um pai.


O bom amigo está sempre pronto pra te defender, como um advogado, cheio de argumentos, de sorriso "mar(i)oto". Se te atacam ele banca o zagueiro e afasta o perigo. 


E sempre tem o amigo "pato", de uma habilidade incrível nos campos e no jogo da vida, que veste a sua camisa, nunca abandona o time.


Tem amigo que mais parece um personagem, cheio de histórias, de resenha, pronto para transformar a realidade em comédia. Ele pode ser um multimídia, conectado a você por meio das tecnologias: twitter, face, orkut, msn. Amigo jornalista, disposto a investigar a sua vida com o lead na ponta da língua: quem? o quê? quando? onde? como? por quê? 


Às vezes ele até passa dos limites, quer roteirizar o seu futuro, como um diretor de novelas, de sobrenome Capucho.


Amigo é sempre "guerre(i)ro",  disposto a transformar a tristeza em uma doce canção. 


Não há diferenças numa amizade verdadeira, porque nesse caso elas se completam numa mistura perfeita, equilibrada, como o "café com leite". Um vive no Rio o outro em Sampa, e mesmo longe os dois não conseguem se separar. 


O nosso imenso Brasil fica pequeno pra eles. Cruzeiro, Guaratinguetá, Taubaté, São José dos Campos, São Paulo, Campinas, Rio Grande do Sul, aonde quer que eles estejam, seja o amigo empresário, bancário, engenheiro, dentista, fisioterapeuta, quando se encontram são apenas amigos, trabalhando um sentimento que os torna mais humanos.


Tem o amigo metalúrgico, esse produz discursos tão sinceros que vez ou outra acaba fabricando conflitos, vendendo a imagem errada dos companheiros.


O amigo também pode ser ela. Quem disse que não há amizade sincera entre sexos opostos. Ela pode ser uma atriz interpretando suas confidências, uma jornalista tentando fazer você entender os fatos ou a psicóloga que vira e mexe te salva da depressão.


Amigos são como irmãos, parte da família. Pessoas enviadas por um camarada lá do céu. Demora a brotar, mas quando nasce uma amizade ela fica enraizada para sempre na alma. 


Por último, lembremos do amigo traíra.  Aquele que bate nas suas costas com as garras de um gavião. Esse é filho da outra, rouba teu brilho, te põe em conflito e ainda tem a cara de pau de dizer que não sabia de nada, que não tinha a intenção. Para esse tipo não há palavras, basta o silêncio. Sabe por quê? Porque o traíra já tem uma fiel companheira, a solidão.  Ele nunca vai entender que a amizade tem sim o seu preço e custa caro para quem não tem o coração livre para amar.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O caipira da cidade e o coroné

Abre a porteira
Pra eu “caba” de “chega”
Levantando poeira

Com meu coração a galope
Venho reencontrar a casinha pequenina
Da minha família caipira

Até a cidade me laçar
A roça era o meu lar
No lombo do cavalo
Abrindo “tria” pelo mato
Mergulhado "nus riacho”

Foi assim que eu me criei
E matuto madurei
Plantei puro amor no coração
Depois eu me mudei

Deixei pra trás o meu sertão
Com a benção dos meus pais
E o abraço apertado dos irmãos

Segui sem rumo
Mas “vortei rumado”
Agora, o menino do mato
Virou empresário

Mãe, irmãos
Finalmente eu venci
Mas cadê o pai aqui

Lá no monte descampado
“Vistei” uma cruz de sarrafo
Aquela terra cheia de vida
Foi transformada em cemitério da “famía”

Com o “zóio” enxarcado
Procurei explicação
E vim sabe por minha mãe e os irmãos
Que um coroné tinha matado o meu herói, seo João

Fui atrás daquele "mardito"
Um sujeito muito temido
Rico e sabido

No meio da estrada me pus a esperar
E quando o coroné apontou entre a poeira
Meu coração disparou a galopar

Chegou a hora da vingança
Com o dedo no gatilho
Apontei o "revorve pro mardito"

O coroné me encarou sereno
E eu atirei sem medo
Veio o estampido
E logo o chão batido ficou "vermeio"

No leito da morte o coroné me chamou
E sussurou no meu ouvido
Seu pai não morreu
O João que "ocê" conheceu
Era um "véio" amigo meu
Um traidor
Que roubou o meu amor
Levou sua mãe pra longe "deu"
E o meu "fio" no ventre seu

Mas, “finarmente", "ocê” veio a mim
Trazido pelo destino que assim quis
Não se preocupe meu “fio”
Que eu já “vô partino"
Levando comigo um amor infinito "docê"

sábado, 7 de maio de 2011

Eu quero meu herói de volta



O meu herói não tinha super poderes e muito menos nasceu da imaginação dos americanos. Ele não vencia uma guerra sozinho como "Rambo", nem mandava seus inimigos pra lona como "Rock Balboa" ou voava com uma capa vermelha feito "Superman". Não! O meu herói era de carne e osso como qualquer um de nós, simples mortais. Um brasileiro "da Silva", espirituoso, que carregava em seu coração a fé de uma nação inteira.


Ele não precisava de uma visão raio x para enxergar os problemas da humanidade. Rico, doava aos pobres parte do que conquistava com seus méritos, mas também não era "Robin Hood". Tinha uma ânsia pela vitória, porque só ela colocava o Brasil dos pobres e dos ricos no topo do mundo, sem diferenças. O segundo lugar significava a derrota.


Esse homem fez da sua vida uma grande corrida contra o tempo, movido sempre pela adrenalina. Pelo menos uma vez por semana ele se transformava em herói e revelava seus poderes nas pistas. Nelas ele conseguia voar, parecia imbatível. A cada largada embarcávamos numa nova aventura que tinha na maioria da vezes um final antigo, com aquele brasileiro no pódio. 


Aírton Senna deu ao povo o orgulho de ser um País, defendendo nossa bandeira lá fora. Esse "da Silva" refletia em nossas almas a imagem da vitória, da religiosidade, da determinação, da superação. Capaz de vencer mesmo quando a máquina não tinha condições de chegar. Foi além dos limites, cruzou a linha de chegada andando em duas marchas. O impossível era muito provável quando entrava em "Senna". E seus feitos profissionais e sociais o tornaram um exemplo, por isso ele nos parecia indestrutível, imortal.


Aírton foi a melhor fórmula da F1. Eleito o maior piloto de todos os tempos pelos melhores. Nem a agressividade de um "Leão", a maestria de um francês, a técnica do alemão ou a morte, conseguiram ultrapassar o lendário brasileiro. Aírton Senna do Brasil, do povo, eterno. Dezessete anos se passaram, mas a saudade nunca passa. Eu quero meu herói de volta!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Um tiro no alvo ou um tiro no escuro?

O homem mais procurado do planeta foi morto depois de uma longa caçada que durou quase duas décadas. Dez anos se passaram desde os atentados que cravaram uma marca profunda no império americano. Será que as famílias das vítimas daquele onze de setembro se sentem confortadas com a eliminação do mestre do terror? Justiçadas, talvez.

Dois de maio entrará para a história como o dia em que Bin Laden, autor de uma série de covardias insanas praticadas em nome de Alá, deixou de existir. O dia em que os Estados Unidos da América salvaram o mundo de uma mente diabólica.


Descobrimos que ele era apenas um homem, nada sobrenatural. Só que esse homem magro, alto, de barbas cumpridas e um olhar convicto foi capaz de controlar a mente dos fracos, dos suicidas, de pais, mães e filhos que tiveram suas vidas tiradas pelo próprio Bin Laden. Por sua guerra particular contra o Tio Sam.


Mas será que a morte do líder nos libertou do terrorismo?
Ou pelo contrário, provocará uma ira infinita em seus fiéis seguidores? Se assim acontecer teremos corpos agindo sem cérebro, motivados ainda mais pela vingança.


Os conflitos étnicos no Oriente Médio reinarão até o fim dos tempos. A  "Terra Santa" só terá paz quando Alá se cansar de ouvir seu nome em vão por aqueles que praticam o mal e descer a terra para combate-los.


O terror não está mais na pessoa de Bin Laden. O terror se espalhou como uma epidemia pelo mundo. Está entre nós, em nossa mente, gravado para sempre. 


Bin Laden um dia foi aliado e mais tarde se rebelou contra os E.U.A, por quê? 


Os americanos dirão que foram vítimas e, hoje, honraram a nação com um ato de heroísmo. Mas para alimentar sua própria economia, seus padrões elevados de vida, eles vão continuar produzindo a guerra. Alimentando os interesses políticos com suas indústrias bélicas. Armando os países emergentes para invadi-los mais tarde pregando uma falsa paz.


Agora, Bin Laden está morto, mas as armas do Tio Sam vão continuar matando em nome do capitalismo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O complexo da beleza


Você está num bar com os amigos, rodeado de paqueras, pessoas interessantes, mas quando menos se espera uma mulher entra no estabelecimento. Todos os olhares se voltam para ela como holofotes, inclusive, os das outras mulheres que estão no bar. A moça de olhos azuis, traços finos, com uma boca sedutora, pele morena e cabelos encaracolados parece ter sido feita a mão. As curvas dela são tão perfeitas que fazem qualquer homem se perder do caminho. Agora respondam-me, o que chama tanto a atenção nessa linda mulher? Seria sua simpatia? O bom humor? Sua inteligência? A conta bancária?
Não! É a imagem captada por um dos seus sentidos.

Ser bonito também é um dom. A aparência é capaz de despertar o interesse das pessoas, sem que ao menos uma palavra seja pronunciada. É físico! Trata-se de desejo, atração. Por muitos anos me perguntei porque não fui premiado com esse talento? O reflexo no espelho sempre deixou visível que eu estava longe de ser um galã, muito distante. Na adolescência todos meus colegas e amigos eram apaixonados pela mesma garota, a mais linda da escola. E, claro, somente um de nós poderia conquistar o sorriso daquela beldade. Com certeza não fui eu, mas um amigo que carregava com ele o feitiço da beleza. Todos os nossos sonhos de consumo tinham a mesma opinião sobre ele, o achavam um Deus Grego. Diante dele éramos simples mortais.

Uma concorrência desleal, como comparar Brad Pitt com o Predador. O mais engraçado é que o meu amigo Bonitão nunca se aproveitou de seu feitiço. Eu e os outros precisávamos nos desdobrar para fazermos as meninas rirem, impressioná-las com uma ou outra habilidade, na sala de aula, nas partidas de vôlei, só assim tínhamos chance de atrair um olhar feminino. O fato é que os mortais também sonhavam em ser um Deus Grego. Além da beleza, esse meu xará tinha outras qualidades, era educado, inteligente, determinado e romântico. Eu tive o previlégio de ter esse cara de sorte como meu melhor amigo. E apesar de inspirar tantos desejos, de poder possuir a menina que quisesse, ele nunca se deixou levar pela beleza delas. Para ser sincero muitas das meninas que intermediei para o galã nem eram atraentes fisicamente, mas tinham uma beleza incomparável dentro delas.

O Deus Grego deu uma lição a esse simples mortal. Quando vamos ao supermercado encontramos uma variedade de marcas de um mesmo produto. O que mais chama a atenção se não a embalagem da mercadoria. Uma boa embalagem, bem produzida, consegue seduzir qualquer consumidor. Mas é o conteúdo que ela carrega o mais importante para quem está comprando. A embalagem é descartável, como a beleza. É assim que meu amigo Deus ensinou-me a ver as pessoas e entender que eu não era feio, tratava-se apenas de um ponto de vista. Pena que ele faz parte de uma minoria.

Em compensação tenho outro camarada que fazia da beleza feminina o seu objeto de conquista. E ele não é bonito, longe disso. Só que durante muitos anos persistiu em um erro absoluto, trancou o coração e focou seus olhos apenas na bela matéria que um dia perderá o encanto para o tempo. Isso lhe custou caro. Noites de sono perdidas, rosto lavado por tristeza e um imenso vazio que, finalmente, foi preenchido por uma mulher atraente e de uma beleza interior engrandecedora. Acho que, hoje, ele enxerga as pessoas como aquele Deus Grego.

O universo se transforma, as pessoas e os conceitos que giram em torno dele também. Quando a mulher de olhos azuis, traços finos, com uma boca sedutora, pele morena e cabelos encaracolados cruzar os nossos olhos, eles não vão resitir a lei da atração. Mas não se esqueça de olhar a sua volta, porque ali, ao seu lado, pode estar uma garota que é apaixonada pela sua maneira de ser, de conquistar o mundo, não pela sua imagem. Essa beleza interior nunca será vencida pelos anos. Assim, qualquer um de nós terá o privilégio de se sentir um Deus Grego.


domingo, 20 de março de 2011

Eu quero minha inocência de volta





Por esses dias, uma inquietação me fez perder o sono e o pior, me levou os sonhos também. E já que os planos para o futuro pareciam ter se apagado, assim do nada, eu fui buscar lá trás o motivo dessa formigação que tanto me incomodava. Revirei o meu baú, baguncei minha memória e fui parar numa rua, mas não numa via pública qualquer. A Arsênio Ferreira de Carvalho foi o palco principal da minha infância e de uma geração de amigos que acabou distanciada pelos anos. Ali, começamos a vida apenas como uma brincadeira.

No pega-pega, aprendemos a correr para alcançar o que buscávamos. A corda nos ensinou a pular os obstáculos do dia a dia e a salada mista aproximou os meninos e meninas. Vieram os apelidos, os conflitos. A turma se dividiu entre os muito loucos e os caretas, em pequeno número. Aí, entendemos bem as diferenças, filosofias, personalidades. Ainda que os pensamentos fossem tão distintos, o respeito sempre falou mais alto.

Alto como o som das vozes de nossos pais que, depois do esconde esconde, descobriam alguma arte revolucionária daqueles pentelhos. Os castigos, vez ou outra, deixaram claro que os erros tem consequências e que impunidade é um erro. Éramos um grande time. Os canarinhos, jovens, unidos pela bola, pela rua, pela amizade, pela vida.

Passávamos horas e horas juntos. Na casa de um, de outro, na frente do vídeo game, em cima da árvore, caminhando “sem lenço nem documento”. Sempre acompanhados pela felicidade. Só que devagar o futuro se encarregou de nos encaminhar separadamente. Escola, faculdade, emprego, nos víamos menos e cumpríamos mais nossos deveres, responsabilidades. Crescemos cheios de lembranças.

Nesse tempo, alguns dos rostos da rua foram desaparecendo. Um dos caçulas do grupo, vidrado em futebol, foi convocado pelos anjos. A senhora do jogo do bicho não está mais lá na esquina, os geladinhos que adoçaram a nossa infância também. O menino apelidado de “Tantão” viajou para o céu, junto com os dois senhores Franciscos da vizinhança. O sorriso da nossa doce Cláudia não pode mais ser visto, somente recordado e, atualmente, a imagem dos amigos na rua é rara como ganhar na loteria. Uns casaram, outros como eu se mudaram. Já na rua, pouca coisa mudou. Ainda posso sentir o cheiro, ouvir os risos, ver o meu eu criança correndo de um lado para o outro sem pressa de chegar onde cheguei, com toda vitalidade do mundo, sem o peso da responsabilidade, sem a preocupação de ter que trabalhar para comer.

Éramos invencíveis até que o tempo venceu os nossos laços. Vieram novos amigos, formamos outros grupos, só que a medida em que os cabelos brancos vão tomando conta da minha cabeça, mais falta eu sinto da nossa “linda juventude”. Hoje, uma nova geração tenta substituir o espaço que um dia foi nosso. A rua era a extensão de nossas casas, um lugar cheio de energia. E sem querer ser protecionista, fomos incrivelmente maiores, cerca de vinte apelidos que incomodavam um ao outro. Bizorrão, Fusquinha, Gudu da lua, Lucas Boy, Alemão, Dé, Derson, Xingu, Banguelo, Dadá, Mel, Xitão, Breguê, Chorinho, Cabeça, Joãozinho, Lili, Eli, Elaine e Juliardy, meu apelido.

Antes eu odiava ser chamado assim, hoje, eu rezo para ouvir essa palavra que considero mágica. Ela é a conexão com o meu passado, uma forma de trazer meus amigos de volta para o presente, de ressuscitar o elo perdido. Depois de duas décadas, com certeza estamos mais enrugados, com mais cabelos brancos, menos disposição e não fazemos tantas travessuras. Mas sei que quando nos cruzarmos por aí, nossos olhos vão enxergar aquelas mesmas crianças. Meninos e meninas que compartilharam a melhor parte de suas histórias. Não vejo a hora de poder ouvir o som dos nossos risos novamente. O som e os contos da nossa infância é o mais próximo que eu posso chegar daquela criança inocente que eu fui um dia.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Morte X Vida, você tem medo do quê?



Nascemos em contagem regressiva, envelhecendo a cada minuto, fadados a morte. Assim como a ampulheta, a nossa permanência na terra vai se desfazendo em grãos, devagar, ao longo dos anos. Ainda sim, encher os pulmões de ar é um presente divino.


Num daqueles dias modorrentos, perguntaram-me se tenho medo de abandonar o corpo e seguir para o "além". Sim, eu tenho! E quem não tem? Agora, se a morte é uma consequência inevitável, então pra que pensar nela?


Aceitar que a algumas décadas serei apenas poeira me assusta, mas o medo maior que carregamos é outro. Passamos boa parte do tempo temendo a VIDA. A tanto pra se viver, mas a falta de ousadia, o comodismo, provocam uma inércia tão profunda no nosso dia a dia que ficamos pelo meio do caminho. Enterramos o futuro no presente e dizemos amém, como se estivéssemos condenados pelo destino, pelo ser onipotente que nos deu o livre arbítrio.


Minha mãe, por quem eu tenho um amor incondicional, insiste em reclamar do que ela deixou pra trás nos seus 50 anos de existência. As viagens que ficaram estacionadas na cabeça, a vontade de terminar os estudos, de aprender a dirigir, de montar o seu próprio negócio. Faltou atitude no passado e, hoje, sobram desculpas para tentar justificar, pra ela mesma, o por que da sua insatisfação com o mundo. É muito mais fácil reclamar da vida do que tentar fazer por ela. Há muitos zumbis vagando pelas ruas, entregues a monotonia, pessoas que já perderam o sentido humano, são mortos vivos.


Já o seu Zé, criado na roça, aos oitenta e um anos, com as mãos calejadas e o corpo surrado, não tem nenhum arrependimento.  O homem trabalhador, honrado e de um sorriso infinito, deseja apenas nunca sair daquele pedacinho de terra, herança dos pais, que derramaram gotas de sangue e suor para criar ele e os outros onze irmãos, já falecidos. O mundo de sonhos para o humilde agricultor se resume a simplicidade do campo, as raízes cultivadas e preservadas em três hectares. É nesse lugar, onde a lua clareia a noite e o palco das estrelas é o céu, que seu Zé pretende fazer a sua passagem. Garanto que quando ele partir vai levar a felicidade na alma.


É assim que eu quero completar os meus dias, com a certeza de que fiz tudo em vida. E quando chegar a hora de ir "além", partirei em paz. Um dia, mas não agora.  Porque nesse momento eu só quero viver sem medo.


Carpe diem!